Campeonato Vertical Blue 2010Diário 3No dia 22 de abril decidi colocar mais três metros e fazer um mergulho de - 72 metros, uma grande marca para mim. Decidi, depois de analisar várias vezes meu mergulho de -69 m e chegar a conclusão que conseguiria realizar bem este mergulho. Confesso que estava bem nervosa e o dia não começou bem, varias coisas diferentes aconteceram. Como sempre tomo minhas vitaminas de manhã...mas nesse dia tudo estava estranho, esqueci de tomar as vitaminas e na hora de arrumar as coisas para ir ao Blue Hole, me atrapalhei e acabei saindo mais tarde do que de costume. Chegando na beira da água vi que havia esquecido algumas coisas, mesmo assim comecei meu aquecimento que por sinal foi muito bom. Mas algo estava estranho e eu não estava conseguindo me concentrar direito. Na minha performance, estava desconcentrada desde o início e nos -55 metros retornei sem forçar nada. Fiquei um pouco decepcionada, mas logo me disseram algo que não saiu da minha cabeça. - Temos que aprender a lidar com tudo que é diferente, inesperado. E seguir em frente. Aquilo ficou martelando na minha cabeça o dia inteiro. e decidi anunciar novamente os -72 metros. Dia 23 de abril acordei bem disposta e muito determinada. Propositalmente fiz TUDO diferente neste dia, deste o café da manhã até os aquecimentos antes da minha performance. Troquei de máscara, de biquíni, de lube (mistura que coloco dentro da roupa para facilitar na hora de vestir), até os minutos do meu aquecimento eu resolvi mudar. E olha que sou super rígida com o meu ritual antes dos mergulhos! Mas foi ótimo, assim sei que posso fazer muito mais e mesmo se que as coisas não saírem exatamente como de costume, vai dar certo. Meu mergulho foi ``diferente´´ de todos os outros, mas deu certo no final. Realizei -72 metros, NOVO RECORD SULAMERICANO de lastro constante com nadadeira ! Pena que depois deste mergulho senti minha orelha doer um pouco e por isso fui ao médico lá mesmo na Ilha. Ele não era um especialista mas me examinou, receitou alguns remédios, depois disse que em dois ou três dias eu poderia mergulhar. Mas no fundo eu já sabia que não era só isso! Nunca senti nada parecido, bom, um dia de folga e vamos ver como meu corpo vai reagir. Dia 24 de abril, dia de folga. Passei o dia todo descansando e só sai de casa para ir almoçar no bar do Max. Fiquei pensando em o que exatamente teria acontecido com minha orelha. Tentei relembrar passo a passo do meu mergulho e lembro que perdi a última equalização, mas mesmo assim continuei. Como já havia retornado no dia anterior estava muito determinada a completar este mergulho. Quando meu alarme tocou nos - 67 metros eu estava concentrada em pegar a plaquete e subir, mas minha orelha reclamou e eu não dei muita atenção. De repente um barulhinho... peguei a plaquete e comecei a subir. De repente comecei a sentir uma vertigem, parecia que eu estava nadando de lado. Me concentrei novamente, pois não deixaria nada me atrapalhar naquela hora. Controlei a vertigem e continuei subindo, nesta hora fiquei apreensiva pelo meu protocolo. Mas deu tudo certo, apesar de sair longe do cabo realizei o protocolo de superfície e recebi um cartão branco. Mas, juntando todos os fatos eu já tinha a certeza que tinha perfurado a membrana. Mas nós temos sempre aquela esperança que aquilo não aconteceu e que nós estávamos enganados. Dentro desta esperança, anunciei um mergulho de - 60 metros em imersão livre, para testar o ouvido e realizar uma profundidade que eu sabia que seria bem tranqüila. |
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Diário 2No dia 19 de abril fomos jantar em um restaurante famoso da Ilha, pois como no próximo dia seria folga todos poderiam dar uma aliviada na comida e no horário. Eu com medo da comida muito temperada, pedi um sanduiche de peixe simples, sem nada de condimentos e ainda troquei a batata frita por uma assada. Estava uma delícia, mas em meia hora começaram as dores!!! Tive que pedir para Carla me levar pra casa, pois estava com dor forte no abdômen. Chegando em casa, fiz um chá quente com um pouco de mel e fui deitar. As dores pioraram e comecei a me sentir realmente mal... Raramente tenho problemas como esse. Resumindo: passei a noite inteira levantando, tomando água e indo ao banheiro. foi horrível, sorte que no dia seguinte era uma folga, pois eu não conseguiria mergulhar daquele jeito.
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Diário 1Cheguei em Nassau, Bahamas, dia 15 de abril, e fiquei no aeroporto por mais 4 horas. Viajei para Deadman´s Cay, local onde fica o Blue Hole, com a DeeDee (USA), Misuzu (JAP), Martin (Tcheco) e o Dave Mullins (NZ). A Carla me pegou no aeroporto onde encontrei a Niki e logo fui cumprimentá-la, mas o Martin me afastou e disse que ela estava doente, muito doente, e não queria passar para ninguém. Por um instante fiquei surpresa, mas entendi perfeitamente. Ninguém quer ficar doente antes de uma grande competição. Eu já passei por isso e realmente não é uma boa experiência. Nem desarrumei as malas e já coloquei um biquíni e fomos para o Blue Hole. Chegando lá ficamos assistindo a entrevista do Herbert para BBC até podermos entrar na água para um reconhecimento rápido. Fomos dar uma olhada no famoso Dean's Blue Hole, o propagado como mais fundo do mundo. Estava escuro, a água estava fria e também ventava muito. Mesmo assim, apesar desta primeira impressão, é lindo e perfeito para treinar.A noite todos em reunião para completar a papelada e conferir a documentação, explicações de como tudo iria funcionar durante nossa competição. Fomos jantar no MAX CONCH BAR, o bar onde todos vão a noite. Super simples, mas muito gostoso. Comemos sanduiche de peixe fresco com uma boa salada e banana da terra de sobremesa, uma delicia ! Restou dormir cedo.No dia 16 de abril acordamos cedo e fizemos um bom café da manhã com frutas e pão de grãos, tudo muito saudável, arrumamos tudo e fomos com muita calma fazer um treino de reconhecimento. Eu estava um pouco preocupada, pois não consegui treinar profundidade como deveria. Alguns mergulhos em Cuba e só... Mas em compensação o físico treinei muito e estava me sentindo muito bem.Estávamos apenas eu, a Carla e o grupo de japoneses, Ryuzo, Misuzu e a I (responsável pela filmagem dos japoneses). Ficamos aquecendo no cabo secundário e na hora da performance passamos para o cabo principal. Fiz uma mergulho tranqüilo até onde me senti bem, - 54 metros, para minha surpresa! Fiquei muito feliz, pois nos meus planos mergulharia apenas - 45m neste dia. Fiz mais uma tentativa e desci - 57 m com uma boa folga.Adorei o lugar, mas é bem escuro lá em baixo, depois dos - 50 metros é um breu total! Mas a calma da água e a ausência do barco são fantásticas !!! Na volta paramos no SEAN e compramos uma salada de molusco (conch salad). Uma delicia, almoçamos e fomos descasar. Fizemos nossos anúncios antes das 18:00 horas como combinado. Anunciei - 60 metros!A noitinha a Carla preparou umas lagostas pescadas pelo Willian para o nosso jantar. Uma delícia! Me lembrou Cuba, pois comíamos lagosta todos os dias lá.No dia 17 acordamos cedo, pois nossos mergulhos eram consecutivos, primeiro a Carla e depois eu, as 9:40 e 9:50 respectivamente. Foi um pouco estranho este mergulho, várias coisas deram errado no aquecimento, mas estava determinada a não retornar por nada a não ser se minha orelha não deixasse. E ela não me ajudou muito, pois não parei de bater pernas até os -60 e por isso tive dificuldades de compensar. No final, estava tensa e não consegui relaxar muito bem. Mas completei ainda assim bem o mergulho, bom protocolo de superfície e o Grant já virou pra mim e disse que desta fez eu tenho que passar dos -70 metros sem desculpas !!! Foi muito legal saber da confiança dele em mim!! Quase todos os meus recordes foram homologados por ele, que além de ser um excelente juiz é o vice-presidente da AIDA Internacional. Descansamos o resto do dia e no final da tarde a Dee Dee veio até nosso quarto para mostrar as fotos do dia, muito legal e ela já publicou no facebook: http://www.facebook.com/verticalblue.No dia 18 acordamos como sempre cedo, o schedule para hoje era o mesmo do dia anterior, primeiro a Carla e depois eu. Estava determinada a fazer um bom mergulho hoje e tentar relaxar mais durante a parte do Sink Face. Como a Mandy sempre me disse e até me mandou um email para lembrar: ´´quando começar a cair lembre de relaxar seu abdômen isso sempre facilita a passagem do ar para as vias aéreas superiores e dai consegue compensar melhor". Fiz isso e foi muito tranqüilo, não tive nenhum problema para equalizar. Realizei meu mergulho de - 63 metros muito fácil. Estava muito animada, pois sabia que havia vencido uma barreira grande pra mim, a equalização.Já estávamos indo embora quando a Ana Biselli e o Rodrigo Junqueira apareceram na janela do nosso carro!! Eles estão fazendo uma maravilhosa aventura de 1000 dias entre as Américas (http://www.1000dias.com) e são meus amigos muito queridos. Os dois fizeram o curso de mergulho livre comigo no ano passado e mandaram muito bem. Foi uma coincidência enorme encontrá-los aqui nas Bahamas, pois eu sabia que estariam no Caribe, mas não sabia exatamente onde e quando. Foi fantástico encontrar eles por aqui, AMEI !!!Queria muito que eles ficassem mais um dia, pois a programação deles era partir no dia seguinte de manhã. Eles bem que tentaram, mais não deu pra transferir e ficar para ver a competição...No dia 19 fizemos tudo como sempre de manhã e o meu mergulho era meia hora mais tarde do que o da Carla pois era mais fundo que três outros atletas. Por isso fui junto e fiquei conversando com a Brittany, esposa do William Trubridge, até chegar minha hora. Durante meu aquecimento logo na primeira descida fui acompanhando o mergulho da Carla que estava tentando uma nova marca pessoal. Ela realizou o mergulho de Lastro Constante Sem Nadadeiras (CNF) de - 46 metros, mas na hora do protocolo de superfície errou e foi desclassificada (apesar de tudo estava feliz por ter descido sem problemas pra equalizar). Com certeza ela terá outras chances de realizar esse mergulho.Eu estava tão tranqüila que no meu mergulho ocorreu tudo exatamente como o planejado. Pernadas fortes, moderadas, boas equalizações relaxadas e já estava lá. Peguei três tags de uma vez, pois lá no fundo é tão escuro que não dá pra ver direito a tag preta no fundo escuro. Voltei forte e bem focada, estava me sentindo super bem, nada de queimação nas pernas ou no abdômen. Foi muito tranqüilo até o final. Um protocolo de superfície já com um sorriso no rosto e pronto, mais uma etapa vencida !!! Agora um merecido DAY OFF, muito descanso e pronta para mais uma etapa !!!Continuem na torcida!!!! Pois sempre vou fazer o meu melhor... |
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Dean´s Blue Hole |
Plataforma de competição |
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Sean retirando o molusco |
Preparando nossa salada |
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Mizusu e Ryuso colando minha roupa |
Dr. Ryuso trabalhando |
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Nosso jantar com lagostas pescadas pelo Will |
Visão geral do primeiro dia |
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Nossa juiza Linden dos USA |
Nosso sonar de segurança |
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Verificação das cameras |
Dave Mullins após seu NR de -114m CWT |
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Carol e Carla Handson |
Herbert Nitch Record Mundial - 114m FI |
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Willian Trubridge |
Willian Trubridge Record Mundial - 92m CNF |
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Ana, Carol e Rodrigo 1000 Dias pelas Américas |
Carol Schrappe e Ana Biselli encontro casual no Deans Blue Hole - Bahamas |
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DeeDee a fotografa oficial do evento |
Eu meu querido amigo Grant Graves |
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Misuzu antes do seu mergulho |
Rob King respirando O2 depois do seu record de FI -86 m |