A IMPORTÂNCIA DE UMA EQUIPE DE SEGURANÇA SCUBA NA APNÉIA

 

Olá, meu nome é Reinaldo Alberti, e apesar de não praticar o mergulho livre com frequência, sou capitão e treinador da minha sócia e esposa Carol Schrappe, apneísta apaixonada e vibradora. Portanto estou sempre envolvido diretamente com o mergulho livre, apesar de ser um especialista em mergulho SCUBA*. Uma das minhas preocupações, sempre que treinamos ou competimos, ou quando ministramos o curso de apnéia em nossa escola, naturalmente é com a segurança dos envolvidos, em todos os seus aspectos.

A busca constante pela superação dos limites pelos atletas, ou mesmo pelos praticantes recreativos de apnéia, faz com que muitas vezes, estes dependam de “anjos da guarda”,  os apneístas e os mergulhadores scuba de segurança, que devem formar um verdadeiro time, muito bem coordenado, para atuar durante os treinos e competições.

Vamos as funções de cada um deles.

O apneísta de segurança, normalmente tem de ser um atleta experiente, e principalmente, na minha opinião, ter o “fôlego” necessário para ir até no mínimo, a metade da profundidade atingida pelo atleta que vai fazer a performance, para que terminem o mergulho juntos. É importante salientar que ele tem de ir “buscar” este atleta com total segurança, estar “tranquilo” e extremamente confortável para aquela profundidade, e nunca, ir até o fundo, ou seja, a mesma profundidade da performance.

Para ele não ter de ir até o fim do cabo, é necessário que hajam em pontos estratégicos do percurso de descida e ao final do cabo, os mergulhadores scuba, que lá permanecem durante a prova ou treino. Estes mergulhadores têm de possuir qualificação em Resgate Subaquático, e saber as diferenças entre o resgate de outro mergulhador scuba e de um apneísta. Uma das principais, é que ao contrário do resgate de outro mergulhador autônomo, o apneísta não deve receber ar no fundo, pois ao soltar o ar que tem em seus pulmões, antes da primeira respirada no regulador, poderia ocorrer um colabamento pulmonar, que fatalmente levaria o apneísta a morte. Outro fator importante, é que o apneísta deverá ser levado para cima com a boca fechada, tanto para não entrar água pela boca, como para não perder ar dos pulmões.

Além disso, devido as profundidades cada vez maiores alcançadas pelos atletas de mergulho livre, na maioria das vezes o mergulhador scuba deve possuir qualificação de mergulhador técnico.

Basicamente, os mergulhadores autônomos, respiram AR (21% O2 e 79% N2) ou misturas EAN (ar enriquecido com oxigênio), ambos para a profundidade de até 40 metros, sendo abaixo disto, a mistura correta o TRIMIX, onde adicionamos Hélio a mistura gasosa, diminuindo os percentuais de O2 e N2. Isto serve para evitarmos intoxicações por estes gases, que se respirados a altas pressões, podem causar problemas. Em qualquer uma das situações, seja usando AR, EAN ou TRIMIX, normalmente para as profundidades que estão chegando os apneístas, há necessidade de paradas descompressivas ao final destes mergulhos, utilizando durante a subida e nestas paradas, misturas ricas em O2. Além disso, o uso do gás hélio nos mergulhos mais fundos, exigem uma subida ainda mais lenta por parte do mergulhador Scuba de segurança.

Então, como poderíamos subir um apneísta que apresentasse problemas no fundo, se não podemos ir direto até a superfície, devido à necessidade destas paradas descompressivas? A verdade é que não podemos fazê-lo. Por isso, a extrema importância de uma equipe de segurança trabalhar com harmonia cronométrica. Se um atleta apresenta problemas durante a descida, virada no cabo, ou início da subida, quem vai intervir é o mergulhador scuba, que poderá subir rapidamente apenas até uma profundidade mais rasa, mas não até a superfície, e passar este atleta para outro scuba, e assim sucessivamente até encontrar, em profundidades menores, o apneísta de segurança, que vai conduzir o atleta até a superfície.

Na superfície, o ideal é que outro apneísta de segurança, descansado, reboque a vítima até a margem, praia ou embarcação, onde outros resgatadores e equipe médica possam iniciar os procedimentos de primeiros socorros, que é outro ponto importante do salvamento, e que irei descrever num próximo artigo.

Voltando à equipe de segurança, eles têm outra responsabilidade importantíssima, que é a de atuarem como juizes nas competições, já que estão lá também para analisar a performance do atleta. Avaliam se estes atletas não distanciam demasiadamente do cabo, não sambam, ou não tocam mais do que o permitido no cabo. Portanto, é imperativo que além de excelentes mergulhadores e qualificados para lá estarem, conheçam as regras da competição, e sejam éticos em seus julgamentos. E também por isso, é reforçada a necessidade do uso do gás hélio as profundidades abaixo dos 40 metros, para que a narcose não prejudique seus julgamentos.

Sempre que a Carol participa de uma prova, e eu vou como capitão dela, nunca faço parte do esquema de segurança, apesar de algumas vezes a equipe scuba de nossa escola ter sido a responsável por esta segurança. Quer dizer, além de tudo, só podemos torcer para que não ocorram incidentes, e que todos os apneístas, estrelas deste maravilhoso show subaquático, superem seus limites, sem torcidas específicas. E assim, o esporte ganhe cada vez mais brilho.

Bons mergulhos. Abraços molhados,

 

Reinaldo Alberti

Diretor de Treinamento e Chefe de Segurança

Acquanauta Mergulho Curitiba

 

*SCUBA – Self Contained Underwater Breathing Aparatus – ou simplesmente – unidade de respiração autônoma.